Os antecedentes da Guerra de Tróia

Literatura Jan 12, 2026

Para compreender os acontecimentos que antecedem a Guerra de Tróia — evento narrado na Ilíada —, é preciso recorrer ao Ciclo Troiano, um conjunto de relatos que explicam as causas e os antecedentes da guerra, pois o poema de Homero tem início já no décimo ano do conflito.

Tudo começa com Zeus que, diante da superpopulação da Terra, decide aliviar Gaia do peso da humanidade, sobrecarregada pela multidão de homens e pela impiedade. O deus planeja a guerra como meio de reduzir o número de humanos.

Para compreender tudo o que levou à mais famosa guerra da história, é preciso ressaltar algumas figuras principais: Aquiles, Helena, Menelau e Páris.

Aquiles

Das profundezas do mar, a deusa oceânica Tétis despertava a atenção dos deuses, inclusive de Zeus e Posêidon. Entretanto, um oráculo alertou que o filho da deusa superaria o pai e poderia depô-lo. Para os deuses, isso seria terrível; por outro lado, para os humanos, é algo positivo quando o filho se torna melhor e maior do que o pai. Zeus, então, decide que Tétis deve casar-se com um rei mortal, Peleu, garantindo que seu filho não ameace o Olimpo.

O casamento é celebrado com todos os deuses convidados, exceto Éris, a Discórdia, que, ofendida, lança uma maçã de ouro com a inscrição “para a mais bela”, gerando uma disputa entre Hera, Atena e Afrodite. Zeus, sem querer julgar, entrega a tarefa ao homem mais belo da Terra.

Páris

Príncipe troiano, filho de Príamo, rei de Tróia, Páris não cresceu com sua família no palácio. Após seu nascimento, foi profetizado que ele traria a destruição à sua cidade natal. Sendo assim, o rei decide sacrificar o próprio filho. Porém, nenhum dos envolvidos tem coragem de matar a criança, que acaba sendo abandonada na floresta. O príncipe é encontrado e adotado por uma família de pastores no Monte Ida.

À medida que crescia, Páris tornava-se cada vez mais belo, a ponto de ser escolhido como responsável pelo julgamento na disputa provocada pela Discórdia. Como todas as deusas eram igualmente belíssimas, cada uma oferece-lhe subornos: Hera promete poder político, Atena promete sabedoria e habilidade militar, e Afrodite promete o amor da mulher mais bela do mundo. Páris escolhe Afrodite, garantindo seu apoio durante a guerra.

Menelau e Helena

Enquanto isso, Helena, filha de Zeus com a humana Leda (ou Nêmesis), despertava o desejo de muitos chefes gregos e era considerada a mulher mais bela do mundo. Para evitar disputas entre eles, o astucioso Odisseu propõe o Juramento de Tindáreo, pelo qual todos os pretendentes se comprometem a defender aquele que se tornasse o marido de Helena.

Ela se casa com Menelau, rei de Esparta. A união fortalece a aliança política com Micenas, cujo rei, Agamêmnon, irmão de Menelau, deve sua ascensão ao trono à ajuda de Tindáreo. O juramento garante proteção a Menelau caso alguém tente tomar Helena.

O recrutamento

Com o passar do tempo, Páris toma conhecimento de sua história e linhagem e retorna a Tróia, onde, apesar da profecia, é aceito. Afrodite, para cumprir sua promessa, aconselha Páris a navegar pela Grécia (vale ressaltar que o termo “Grécia” é usado aqui apenas para fins didáticos, pois, à época, não existia uma unidade política chamada Grécia, mas uma coalizão de pequenas cidades independentes e ilhas) em busca de sua mulher prometida.

O príncipe troiano chega a Esparta e conhece Helena, enquanto Menelau estava ausente. Páris leva (ou rapta) Helena para Tróia, provocando o rei de Esparta a invocar o Juramento de Tindáreo e reunir os chefes gregos para a guerra.

Entre os heróis recrutados, Odisseu tenta evitar a guerra fingindo loucura: ara campos com sal em vez de grãos e atrela um jumento e um boi ao arado. Ele é desmascarado por Palamedes, que coloca seu filho Telêmaco à frente do arado. Aquiles, escondido por Tétis na ilha de Esquiro, disfarçado de mulher, é descoberto por Odisseu, que o revela oferecendo joias e armas; Aquiles reage instintivamente, demonstrando seu verdadeiro destino de guerreiro.

A frota grega, retida em Áulida por ventos contrários enviados por Ártemis, só consegue partir quando Agamêmnon sacrifica sua filha Ifigênia, apaziguando a deusa. Por nove anos, os gregos cercam Tróia, saqueando regiões vizinhas para sustentar o exército, enquanto os troianos resistem sob a liderança de Heitor.

O estopim imediato da narrativa da Ilíada ocorre quando Agamêmnon captura Criseida, filha de Crises, sacerdote de Apolo. O deus envia uma peste sobre os gregos, e Criseida é devolvida; contudo, Agamêmnon exige Briseida, pertencente a Aquiles, como compensação. Sentindo-se desonrado, Aquiles retira-se da guerra, dando início à cólera que será o eixo do poema. É exatamente nesse ponto que Homero inicia sua história:

“Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida (mortífera!, que tantas dores trouxe aos aqueus e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades, ficando seus corpos como presa para cães e aves de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus), desde o momento em que primeiro se desentenderam o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.”

This post and comments are published on Nostr.

Tags

ΜΟΛΩΝ ΛΑΒΕ

Life, family and property. PGP key ID: E8B3 FA2D EC0B 62A0