Dois Argumentos para a Existência de Deus

Filosofia Nov 04, 2025

Argumento do Desejo:

Premissa 1: A humanidade possui uma necessidade existencial universal por um bem absoluto, transcendente e bom, que proporcione sentido, propósito e felicidade plena.
Essa necessidade é permanente, não individual nem cultural, e resiste ao tempo e às circunstâncias.

Premissa 2: Nenhum bem finito ou material pode satisfazer plenamente essa necessidade.
Prazer, poder, riqueza, ideologias ou realizações humanas não saciam a abertura infinita da inteligência e da vontade.

Premissa 3: Tentativas de viver sem referência a esse bem absoluto (niilismo) levam a vazio existencial, angústia e destruição interior e cultural.
O niilismo demonstra empiricamente que o desejo por algo absoluto não é opcional nem ilusório.

Premissa 4: Uma necessidade universal que não pode ser satisfeita por nada finito só pode ser plenamente satisfeita por algo realmente existente que seja infinito, bom e transcendente.

Premissa 5: Criaturas não nascem com desejos naturais (constitutivos da própria natureza, não fantasiosos) a menos que exista satisfação para esses desejos. Se um bebê sente fome, existe comida; se um patinho quer nadar, existe água; se homens sentem desejo sexual, existe sexo.

Conclusão: Portanto, existe um Ser transcendente, infinito e bom — Deus — que responde à necessidade existencial do ser humano, e cuja negação gera consequências destrutivas.


Argumento da Inteligibilidade:

Premissa 1. Existem questões verdadeiras sobre a realidade (questões reais).

Premissa 2. Toda questão real corresponde a uma verdade real (princípio da inteligibilidade do ser).

Premissa 3. O intelecto humano é limitado e não pode conhecer toda a verdade real.

Premissa 4. Toda verdade real é conhecível em si mesma (para uma inteligência adequada).

Conclusões intermediárias:

C1. Logo, existem verdades reais que ultrapassam a capacidade cognitiva humana.

C2. Se há verdades reais, e elas são conhecíveis, mas não por nós, elas o são por outro intelecto.

Conclusão final:

Existe uma Inteligência Superior à humana, capaz de conhecer plenamente tais verdades.

Simplificando:

  1. Existem perguntas reais sobre a realidade.
    Exemplos: natureza da consciência, fundamento do ser, por que existe algo em vez de nada…

  2. Somos capazes de reconhecer que essas perguntas são legítimas, apontam para realidades verdadeiras.

  3. Contudo, pela nossa própria natureza, não conseguimos respondê‑las.
    Temos um limite cognitivo intrínseco.

  4. Se uma pergunta é real, ela aponta para algo existente.
    Nenhuma questão genuína repousa no nada.

  5. Se esse algo existe e é real, então sua explicação existe.
    Isto é: há uma verdade correspondente.

  6. Se nós não podemos atingir essa verdade, mas ela existe, alguma Inteligência além da humana pode.

Portanto, ou essas verdades são para sempre inacessíveis à inteligência — o que já seria admitir algo além do humano — ou existe uma Inteligência Superior que as conhece plenamente.

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ΜΟΛΩΝ ΛΑΒΕ

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